UMA HISTÓRIA DE CARINHO
Cenário:
um jardim florido, com bancos brancos
personagens:
Antônio: pai
Maria: mãe
joão: filho
Lúcia: filha
Bruxa Malvina
Márcia
Cátia
Marcos
Lumina
Dora –mãe de lia
Lia
Fiscal
No começo da cena os pais estão sentados em um banco muito felizes trocando Carinhos Quentes, música ao fundo.(Felicidade Lupcinio)
entram João e Lúcia de mãos dadas e correm em direção aos pais:
JOÃO: oi mãe (abraçando-a) oi meu pai querido! entrega um carinho quente a cada um deles.
MARIA: olá meus filhos amados, estávamos esperando chegarem da escola. Peguem esses carinhos quentes que estávamos guardando pra vocês!
LÚCIA: Mãe! que lindo dia! me sinto tão feliz! Hoje na escola nossa professora distribuiu muitos carinhos quentes entre todos os alunos. Aprendemos os seus ensinamentos com muita facilidade!
Nisso aparecem Marcia e Cátia
MÁRCIA: João! Lúcia! que bom que chegaram! (entrega um carinho quente a cada um) estávamos ansiosas para brincar!
CÁRIA: Isso mesmo, a turma toda está contando com vocês para as novas brincadeiras! Vamos logo!
JOÃO: Podemos ir pai?
ANTÔNIO: Claro meus filhos, vão brincar e divirtam-se com seus amigos!
As crianças saem correndo abraçadas e ficam brincando em um canto da cena. riem muito e de vez em quando trocam carinhos quentes, abraçam-se.
MARIA: (aconchega-se no ombro de Antônio) Como é bom viver assim, em harmonia, as crianças se divertindo, aprendendo coisas boas, em paz com a família, os professores e os amigos!
ANTÔNIO: É verdade! Felizmente, somos abençoados por podermos distribuir carinhos quentes à vontade. São eles que nos dão segurança, proteção, força e saúde para vivermos em paz.
música triste no fundo.(instrumental)
Entra marcos, um menino triste e meio tonto, com sinais de dor nas costas
MARIA: (levanta-se) Olha Antônio! É aquele menino, o Marcos, parece que está doente. Nossa! pelo que vejo....é falta de carinhos quentes!
ANTÔNIO: (ao lado de Maria) Coitado! Novamente doente! Lembra da outra vez que lhe aconteceu? Sua família deixou de lhe dar Carinhos quentes e ele quase morreu. Não fosse pela equipe do hospital, que cuidou dele por muito tempo, nem sei o que seria.
MARIA: (preocupada) O que vamos fazer Antônio? Temos tanto carinho sobrando, não podemos deixar que o pobre menino fique assim, abandonado...
As crianças que estavam brincando voltam ( a música triste aumenta)
LÚCIA: (que vem um pouco à frente com Cátia) Vejam só, é o Marcos, nosso colega. Parece que está muito mal. Deve ser por isso que não vai à escola a dias...
Os outros (João e Márcia) vão chegando muito alegres e cantando: criança feliz, feliz a cantar...
JOÃO: ops! o que está acontecendo? algum problema meninas?
MÁRCIA: Quem é aquele ali tão tristonho?
LÚCIA: É o Marcos, e parece bastante doente...
MARIA: Meninos venham cá! Preciso da ajuda de vocês ( aproxima-se de Marcos) Todos nós vamos dar uma boa dose de carinhos quentes para esse jovenzinho. Aposto que esse é o principal motivo de sua tristeza, nao é verdade?
MARCOS: Carinhos quentes? ...faz tanto tempo....
JOÃO: sem problemas. Meninas: sigam-me. Temos uma missão muito importante.
(rodeiam Marcos e lhe cobrem de carinhos quentes, abraços e beijos, frutas e flores) . infantil.
Aos poucos o menino vai se recuperando.
Após algum tempo de brincadeiras, a turma se despede e João e Lúcia voltam para seus pais. Maria fica dando atenção aos meninos sentada à beira de um canteiro e distribuindo carinhos quentes. Enquanto isso, Antônio lê o jornal, sentado no banco.
Fumaça. Música assustadora. Entra a bruxa Malvina.
MALVINA: ( falando e olhando para o público) Arg! Que nojo, quanta gente feliz! Não agüento mais, essa terra de gente tão amável, gentil, sincera e ESCANDALOSAMENTE FELIZ!
Tenho que tomar uma providência... (pensando) Deixe-me ver ( brinca com o público, procurando uma solução entre cabelos, pernas e sovacos) . Nisso ela enxerga a cena da família. Faz um gesto para o público como se tivesse encontrado )
Chega ao ouvido de Antônio e diz:
MALVINA: Antônio, olha os carinhos que Maria está dando aos seus filhos. Se continuar assim, ela vai consumir todos os carinhos e não vai sobrar nenhum pra você.
ANTÔNIO: (confuso) Quer dizer então, que não é sempre que existem carinhos quentes no saquinho?
MALVINA: Exatamente! Eles podem acabar, e você não os ganhará mais!
Malvina sai dando gargalhadas montada em sua vassoura.
ANTÔNIO: Maria, venha cá! Pare de dar tantos carinhos quentes a estes meninos, desse jeito vai acabar mimando-os demais!
MARIA: Tu achas mesmo? Está bem, a partir de agora, vou tentar controlar meus carinhos então.
Os dois saem de cena,
JOÃO: ô Lúcia, tu notastes que o pai e a mãe estão diferentes¿ eles estão distantes, parece que estão economizando carinhos com a gente.
LÚCIA: Pois é, eu notei sim. Achei meio estranho a mãe ter recusado me dar carinho outro dia. Sabe de uma coisa João¿ Acho que deveríamos fazer o mesmo. Deve ser isso que eles querem que a gente faça.
JOÃO: (já meio triste) É, deve ser.
Saem os dois
Entram Cátia, Márcia e Marcos:
MARCOS: Puxa vida, estou sentindo falta dos carinhos quentes dos meus amigos. Faz tempo que não recebo nenhum.
MÁRCIA: Confesso que eu também. Mas não posso te dar nada hoje Marcos, já dei um carinho quente para a minha mãe.
CÁTIA: Eu estou guardando os meus carinhos quentes para o meu futuro marido.
A Bruxa entra disfarçada e para num canto com uma banquinha:
MALVINA: Atenção, atenção, venham ver. Um produto exclusivo da cigana Malvina. Venham todos e adquiram um Espinho Verde!
MARCOS: espinho verde? o que é isso ? (aproximando-se da bruxa, acompanhado das meninas)
MALVINA: Podem chegar crianças. Vejam que beleza! Estes espinhos verdes vão resolver os seus problemas! Acabaram-se as tristezas. Peguem, peguem é de graça.
As crianças gritam oba! Viva! E saem saltitantes e felizes.
Entram Dora e Lia pela mão. A mãe com cara de brava vem arrastando a filha.
DORA: Vem menina, anda de uma vez, vamos vender esses carinhos quentes que tu recebestes na escola.
LIA: Mas mãe, eu ganhei os carinhos da minha professora.
DORA: Só pode ser louca essa mulher. Distribuindo carinhos assim, sem mais nem menos. Melhor pra nós. Carinhos valem uma fortuna atualmente. Poderemos viver bem melhor vendendo-os. Anda menina! E vê se consegue arrancar mais carinhos da trouxa da tua professora!
MALVINA: Pode chegar minha senhora, garanto que tenho aqui o que a senhora precisa!
DORA: Quero vender esses carinhos quentes. Quanto me dás por eles¿
MALVINA: Posso lhe fazer uma proposta muito melhor. Troco esses seus carinhos, por este produto maravilhoso, espinhos frios!!! Com eles se acabarão por completo os seus problemas. Nunca mais vai ter que buscar carinhos quentes. Com esses espinhos frios todas as pessoas poderão viver sem se preocupar umas com as outras.
DORA: Humm...... parece bom. Quer dizer que com isso não precisamos mais ficar trocando carinhos?
MALVINA: Claro que não. Já imaginou que tranqüilidade¿ Sem aquela pegação melosa entre pais, filhos, amigos, professores....
DORA: Negócio fechado! Me dá um punhado desses espinhos.
LIA: Mas mãe, eu gosto tanto dos teus carinhos...
DORA: Quieta menina! Estou tratando do nosso futuro!
(Dora sai com um saco de espinhos, bem feliz, com Lia pela mão, meio emburrada)
MALVINA: AHAHAHA! Meu plano está dando certo! Quanto mais as pessoas se convencerem que os tais carinhos quentes só dão trabalho, melhor. Vocês não acham¿ Carinho pra quê¿ Abraço, beijinho, sorrisos e essas coisas gosmentas só servem pras pessoas se sentirem mais...felizes (arg!)
Mas eu acho que ainda posso piorar mais a situação. (Malvina sai) (entra o fiscal, finca uma tabuleta que diz: PROIBIDO DAR CARINHOS Ass. O rei)
MALVINA: Atenção, atenção todos os moradores, depositem nesta urna os seus carinhos quentes, é uma ordem do rei. Ninguém pode trocar mais de dois carinhos por semana!
As crianças e os adultos vêm de todos os lados, espantados, sem saber ao certo o que está acontecendo.
ANTÔNIO: Que ordem é essa senhor fiscal¿
FISCAL: como o senhor está vendo, é uma ordem do rei. Estamos recolhendo os carinhos que sobram.
MARIA: Mas senhor fiscal, já limitamos o bastante, estamos sobrevivendo com o mínimo, se diminuirmos ainda mais, correremos risco de vida!
FISCAL: procurem a cigana Malvina, ela tem produto que pode substituir os carinhos.
(num canto Malvina espera com sacos de espinhos verdes. Cada personagem Vai até ela e pega um espinho sentando-se com cara de triste em volta do palco).
MALVINA: Isso, isso mesmo peguem muitos espinhos verdes! São de graça e farão de vocês pessoas muito mais produtivas, trabalharão com mais eficiência, todo o dia e toda a noite. Ninguém vai se preocupar em visitar os amigos, consolar os doentes, almoço de domingo¿, nem pensar.......ahahahahahah!!
Malvina sai depois que todos pegaram seus espinhos e andam cabisbaixos em torno do palco.
Entra Lumina cantando (eu quero apenas – roberto Carlos). Enquanto roda a música, ela abraça cada criança e entrega um carinho quente. As crianças, primeiro ficam tímidas, mas depois seguem Lumina cantando e dançando com ela. Quando ela entrega um carinho quente para Antônio a música pára
LUMINA: Bom dia! Como tem passado?
ANTÔNIO: Quem é você, e o que pensa que está fazendo? Não sabe por acaso que é proibido distribuir carinhos assim, sem licença? O que as crianças vão pensar? Que carinhos têm assim à vontade, de graça em qualquer lugar....
LUMINA: E são mesmo, quanto mais carinhos a gente distribui, mais a gente recebe. E assim, eles aumentam, aumentam, aumentam, até tornarem-se inesgotáveis!!!
ANTÔNIO: Mentira! Eu a proíbo de distribuir carinhos aos meus filhos. Sou o Pai deles e não quero que sejam iludidos com o que não poderão ter.
(antônio sai levando os dois filhos quase de arrasto)
LUMINA: De onde será que este senhor tirou essa idéia. Eu, nunca tinha ouvido falar que era proibido distribuir carinhos. Ora, e como vivem as pessoas desta terra sem carinhos¿
(enquanto Lumina fala com o público, as crianças vão se aproximando dela fazendo uma roda)
Música: Carinhoso
Quando termina a música
MALVINA ENTRA COM ANTÔNIO:
ANTÔNIO: Viu só cigana Malvina, esta é a mulher de quem te falei. Ela está distribuindo carinhos para as crianças!
MALVINA: Mas que ser insolente. De onde viestes criatura¿
LUMINA: Meu nome é Lumina e venho de uma terra onde todo mundo tem o direito de dar e receber carinhos. Lá todos são amáveis, felizes, vivem em harmonia, procuram ajudar uns aos outros.
MALVINA: Pois aqui, nesta terra a coisa é diferente. Só espinhos frios é que são permitidos, carinhos¿ só de vez em quando.
LUMINA: Me desculpe, cigana Malvina, mas tem carinhos sobrando entre esssas crianças. Quanto mais eu lhes dou, mais estou recebendo.
MARIA: Antônio! Tenha cuidado! Esta cigana é uma impostora!
MALVINA: Impostora eu¿ Quem se atreve¿ (Malvina diz isso já meio encolhida)
MARIA: Quando Lumina revelou que quanto mais carinhos se dá mais se recebe, fui investigar quem era essa tal cigana que nos privou por tanto tempo de carinho.
LUMNA: Malvina na verdade, é uma funcionária do Departamento da Magia, ela é representante da Ganância, da Ambição, do Poder e da Maldade. Esses malvados que estão sempre procurando impedir as pessoas de dar e receber carinhos.
ANTÔNIO: Então... (e todos procuram Malvina que a essas alturas está subindo na vassoura para fugir)
LUMINA: eu sei o que pode lhe fazer muito mal.... (chama as crianças e explica aos cochichos)
Todos correm para Malvina e lhe enchem de beijos, abraços e carinhos
Após alguns minutos, ela sai sem sapato, escabelada, cheia de marcas de batom,
MALVINA: Socorro....Um hospital por favor...estou infectada.... (e sai)
Música: MARCAS DO QUE SE FOI (todos cantam de braços dados e entregam os carinhos quentes às crianças da platéia, convidando-as para subir ao palco.
FIM
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